Quem comunica, constrói
Por José Avelino Neto · Jornalista
Se comunicar bem cria um ambiente mais saudável — e isso não é sobre falar palavras bonitas.
Não sei se você já reparou, mas lembra que em quase todos os anúncios de vagas de emprego a habilidade "ter boa comunicação" era quase como uma regra? Talvez nunca antes uma comunicação eficaz fosse tão necessária, inclusive para garantir a saúde corporativa.
Vivemos um tempo em que aquela máxima — "não é o que você fala, mas como você fala" — nunca pareceu fazer tanto sentido. Guardadas as devidas proporções, tem sido cada vez mais comum ouvir histórias de quem passou por maus bocados diante de um chefe grosseiro demandando, ou presenciando uma explosão de palavras fortes de um colaborador contra o outro.
Dois anos atrás, uma pesquisa para mapear a inteligência emocional e a saúde mental no ambiente de trabalho, feita pela The School of Life, mostrou que 42,8% dos entrevistados confessaram trabalhar em um ambiente tóxico. Quase metade dos que foram ouvidos na pesquisa, sejam líderes ou liderados, disse ser afetada por alguma tratativa mal sucedida em termos de comunicação.
Certamente, se a pesquisa fosse refeita atualmente, não encontraria um cenário muito diferente. Mas é curioso constatar isso porque, cada vez mais, a comunicação é um requisito cobrado de quem lidera pessoas. A safra de materiais sobre o assunto, entre livros e manuais práticos, é enorme. Ainda assim, há quem escorregue no básico e deixe escapar um grito que podia ser evitado, ou uma palavra que poderia ter deixado de ser dita.
Não é o que você fala, mas como você fala.
Mas nem tudo gira em torno da emoção. A comunicação também é importante para o trabalhador em termos de clareza e objetividade. Alguns cargos exigem que o trabalhador seja treinado em pormenores, sabendo com a máxima certeza o que deve fazer em cada etapa. E isso só é possível quando não há espaço para dúvidas — um resultado que aparece quando se destaca aquele tipo de comunicação clara e objetiva, sem dubiedade ou equívoco.
Há quem carregue uma visão que soa pessimista demais. Dizem que vivemos num momento turbulento e que se pautar sempre por uma comunicação suave e empática, ainda mais no ambiente organizacional, é um devaneio. Não creio nisso. É verdade que os desafios atuais estão mais robustos, as tarefas mais complexas. Mas se comunicar bem não é algo tão complexo a ponto de se perder em meio ao que se faz nas oito ou doze horas trabalhadas.
Quem comunica, constrói.
É uma questão de esforço pessoal, de tomar isso como prioridade e, assim, favorecer ambientes onde haja mais produtividade e mais fluidez.

